A eleição de Paulo Ziulkoski

A publicação de estudos como forma de pressão e apoio técnico dos municípios foi uma marca da passagem do Paulo Ziulkoski pela Famurs. A mais importante delas foi sem dúvida a que apresentava as perdas que o estado do Rio Grande do Sul teria caso fosse aprovada a Lei Kandir. Essa lei isenta o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, ICMS, sobre a exportação de bens primários e semielaborados.

A perda acontece, tanto para estados quanto para municípios, mas nas negociações de sua aprovação, o governo federal se comprometeu a assumir uma parcela das dívidas dos estados, por meio da Lei 9496 de 1997, no âmbito do Programa de Apoio à Reestruturação e ao Ajuste Fiscal dos Estados. O governo do estado apoiava as negociações para aprovar a lei.

A Famurs preparou um estudo com os dados da receita estadual que indicava uma perda de 572 milhões de reais para o estado caso a Lei Kandir fosse aprovada, sendo que 25%, ou cerca de 150 milhões, seriam recursos municipais. Para publicar esse estudo, foi convidado o então prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro.

O fato de a Famurs se posicionar contra as negociações entre o governo estadual e a União, e de Tarso Genro ser no estado o adversário político e partidário do governador pesou para que se iniciasse uma rixa maior entre a entidade e o governo do estado. Apesar de o governador e o presidente da entidade estadual serem do mesmo partido, não havia tutela sobre as ações da Federação.

A matéria nos jornais saiu numa terça-feira, e no final de semana seguinte houve a posse da nova diretoria da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul, FIERGS. Nessa cerimônia, ocorreu um desentendimento mais áspero entre o governador e o presidente da Fmurs, com empurrões e xingamentos no meio do salão principal.

Duas consequências não previstas surgiram da divulgação do estudo e desse atrito pessoal. A primeira, e mais imediata, foi a de uma maior autonomia política para a instituição, o que acarretou em posições e ações mais incisivas da FAMURS frente ao governo do estado. A segunda, repercutiu no ano seguinte: a ida de Paulo Ziulkoski para a Confederação Nacional de Municípios. O governo estadual fez chegar a alguns prefeitos com bastante influência na entidade o seu descontentamento e a necessidade de encapsular a figura política do presidente.

Na época, a CNM, era vista como uma entidade enfraquecida politicamente, e, de fato, tinha apenas dois funcionários, um livro de atas e utilizava a estrutura da FAMURS em Brasília. A eleição da entidade aconteceria em 1997, e esse parecia um destino satisfatório para que o presidente da FAMURS se afastasse da entidade e da política estadual.