O abrandamento da crise

A década de 1970 presenciou a moderação do regime militar, que culminou na lei da Anistia, em 1979. A abertura lenta, gradual e segura de Geisel, mesmo com interregnos autoritários, foi concretizada com o Governo Figueiredo. Apesar disso, as medidas de término de controle municipal, como a eleição direta para Municípios capitais, de segurança nacional e de estâncias hidrominerais, só se concretizaram em 1985.

As lideranças locais se aproveitaram desse momento de abertura e também ajudaram a consolidá-lo. Os prefeitos e os vereadores tiveram papel importante no recrudescimento do regime e no seu fim (ABRUCIO, 1998). A mobilização dos Municípios ressurgiu em um movimento muito rápido, inclusive porque, ao contrário das outras esferas, os governos locais, com as exceções já apresentadas, tiveram eleições diretas ininterruptas entre 1964 e 1985, o que conservava seu espírito democrático e, até certo ponto, reivindicatório. O mesmo não ocorreu com entidade representativa dos Municípios, que até o final do regime ainda era percebida como um apêndice dos interesses do governo federal.